Comentários sobre o IA Summit
3 Comments Published April 21st, 2008 in Arquitetura de Informação, Usabilidade, IA Institute, IA Summit.O IA Summit 2008 começou bem, com um keynote de Jared Spool que questionava a importância do User-Centered Design. Em sua palestra (show?), Spool afirmou que, em seus longos anos de experiência, pôde constatar que as equipes que desenvolvem os melhores produtos são aquelas que partilham a mesma visão, conseguem feedback sobre seus produtos e aprendem com ele e - essa é difícil - têm a cultura “certa”, que obviamente varia de acordo com o país, cidade, indústria etc. Ele contou ainda que o iPod foi desenvolvido sem nenhuma pesquisa “formal”, como testes de Usabilidade clássicos, mas que a cada seis semanas os designers passavam algumas horas observando pessoas usando os protótipos. Daí, conseguiam tirar suas conclusões para aperfeiçoar o produto e, como vocês sabem, foram super bem sucedidos.
Eu concordo em parte com as ponderações dele. Acredito que nem sempre vale a pena fazer pesquisas longas em laboratórios super equipados e às vezes este nem é o melhor approach para tirar dúvidas da equipe ou conhecer melhor os usuários. Muitas vezes, bastam rodadas rápidas de paper prototyping, algumas perguntas ou um testezinho rápido com o irmão ou colega de baia. Quando botamos a 1a versão do G1 no ar, eu costumava espionar usuários num cybercafé que fica no meio de uma galeria em Copacabana. Via coisas inacreditáveis, como gente copiando matérias enormes pra dentro da janela do MSN e ignorando solenemente o menu lateral. Eu não passava mais de 10 minutos ali parada fazendo a minha espionagem - até porque pegaria mal -, mas sempre saía de lá com alguma informação nova.
Mas voltando ao Jared Spool, não acho que fazer essas pesquisas informais e rápidas ou estudos etnográficos seja deixar de lado a perspectiva de UCD. Pelo contrário, é uma expansão e nada melhor para um profissional de UX do que abrir a cabeça, não é não? Mas, claro, as frases de efeito fazem parte do show - e o show é ótimo!
Em breve, mais comentários sobre a invasão brasileira, palestras preferidas e Miami (ugh!).
Aproveitamos as nossas férias de Páscoa para dar um pulo em Estocolmo e ver os amigos. Por uma conjunção de fatores, a capital sueca ganhou um reforço brasileiro nesse feriado, com direito à uma festinha simpa multicultural na casa dos nossos cicerones, Rafael e Lina. A cidade é muito mais bonita do que eu esperava. Além de ter uma arquitetura belíssima, a cidade é formada por pequenas ilhas que são ligadas por pontes.
Fomos ao museu de arte moderna da cidade pra ver duas exposições interessantes. A primeira, bem pequena, era sobre a produção artística carioca entre os anos de 1956 e 1964. Destaque para os móbiles do Hélio Oiticica e para um mapa do Parque do Flamengo feito por Burle Marx que mais parece uma obra de arte.
A 2a exposição era sobre a vida do Andy Warhol. Além de várias obras dele, há muitas fotos e vídeos do acervo pessoal dele. Há também os filmes e vídeos que ele produziu nas décadas de 70 e 80. É super completa a exposição, dá pra passar um dia inteiro lá.
Este é um post que eu gostaria de não precisar escrever, especialmemte depois de tanto tempo sem atualizar o blog, mas não vou conseguir deixar passar. Vocês devem estar acompanhando aí no Brasil os problemas pelos quais os brasileiros têm passado para entrar na Espanha, né? Pois é, eu também estou e isso só fez aumentar a minha revolta contra essas regras de imigração a que nós, brasileiros, estamos sujeitos aqui.
Pra tirar um visto pra entrar aqui na Inglaterra, por exemplo, um brasileiro precisa provar que tem tem dinheiro para se sustentar, ter boas referências e apresentar provas de escolaridade (em alguns casos). Daí você ganha o visto e quando chega aqui no aeroporto, enfrenta uma fila de uma hora e mostra todos os documentos que usou para tirar o visto novamente para o agente da imigração. Ah, e ainda tem que apresentar um raio-x de tórax pra provar que você não está trazendo tuberculose lá do 3o Mundo. Foda, né?
Acho que as regras em vigor já são suficientemente escrotas (me desculpem, não há uma palavra melhor). Mas o que estão fazendo na Espanha é bem pior. Dois alunos de doutorado do meu pai estavam indo para um congresso em Lisboa e ficaram detidos no Aeroporto de Barajas. Eles disseram que ninguém dava satisfações e que só depois de dois dias perguntaram para eles qual era o propósito da viagem. Eles ficaram horas numa sala lotada sem água, sem comida, sem comunicação e o advogado enviado pela Embaixada Brasileira foi proibido de vê-los. Entre outros absurdos, contaram que disseram aos policiais “Vocês estão nos tratando como cachorros”, ao que o policial respondeu “Sim, é isso o que vocês são” (!!!).
Eu, que não estive lá nem vivi essa situação, fiquei muito revoltada. Imaginem quem passou por esse perrengue ou teve amigos e familiares envolvidos? É o tipo de coisa que alimenta um ciclo de ódio e preconceito num mundo cada vez mais dividido entre incluídos e excluídos, 1o e 3o, 4o ou 5o mundos. Não é bom pra ninguém no fim das contas principalmente porque os países ricos precisam de imigrantes em vários setores da economia. Obviamente, esses setores incluem trabalho de pouca qualificação, mas não só. O setor de saúde aqui do UK, por exemplo, depende muito de mão-de-obra estrangeira, não é à toa que eles têm programas especiais para incentivar a imigração de médicos, enfermeiros e dentistas. Eu pude testemunhar isso quando estive no hospital. Lá no St Thomas Hospital, um dos maiores e melhores de Londres, muitas das enfermeiras que cuidavam de mim não eram britânicas. A melhor de todas, aliás, era filipina. E o chefão do Lupus Centre de lá, a Louise Coote Unit, atende pelo nome anglo-saxão de Dr. Munther Khamashta - ele é palestino.
Bem, isso sem falar no passado colonialista e imperialista. Na minha opinião, a dívida dos países do 1o mundo conosco, os cachorros, não está paga. Aliás, não pára de crescer…
Depois de cinco meses em Londres, venho pela segunda vez à Lisboa. Da primeira vez, guardei a sensação de que tudo me era extremamente familiar e simpático. Era como estar num “mini-Rio” na Europa, com o Tejo fazendo as vezes de mar azul.
Desta vez, a chegada em terras portuguesas me trouxe um alívio quase instantâneo. Falar e - principalmente - ouvir Português em todos os cantos é ótimo. E Lisboa é uma cidade pequena (quase 600 mil habitantes) se comparada com Londres, onde vivem 7 milhões de pessoas. Em Lisboa, tudo é mais lento e parece mais amigável. Há menos gente nos lugares e esbarra-se menos nas pessoas. A minha sensação é de que há menos hostilidade no ar e que as pessoas têm maior disposição para a simpatia.
Talvez a minha visão seja romântica, eu nunca morei lá - ainda!
Galeria de search patterns
0 Comments Published February 9th, 2008 in Arquitetura de Informação, Tags, Flickr, Experiência do usuário, Design de Interação.O Peter Morville está escrevendo um novo livro sobre search patterns e montou uma coleção de galerias públicas no Flickr sobre o assunto. Tem exemplos de uso de busca em sites pequenos, grandes, intranets, celulares etc. O objeto das buscas também varia. Há telas que mostram a busca de pessoas, lugares, conteúdo multimídia. E, claro, está tudo bem categorizado por tags e separado por álbuns temáticos pra ajudar a Findability.
Se você está projetando um sistema de busca ou quer simplesmente ver como outras pessoas fizeram isso por aí, recomendo uma olhadinha lá.
Este post é pra responder à clássica pergunta “Você está gostando de morar em Londres?”. Não me entendam mal, amigos. O problema não é vocês fazerem a pergunta, é que eu geralmente não sei o que responder. Aí resolvi escrever sobre o assunto pra tentar organizar as idéias, mas pode ser que o texto fique totalmente sem sentido porque são só uns sentimentos e reflexões depois de quatro meses na terra da Rainha.
Vamos começar pelo óbvio. A cidade é incrível e a quantidade de coisas pra fazer é inesgotável. Em um ano aqui, ainda vão faltar museus pra visitar, lugares pra ir e coisas pra comprar. E mesmo o pessoal que mora aqui desde que nasceu anda com um guia de ruas ou, pelo menos, o mapinha do metrô, que aliás é o maior do mundo. A cidade tem 7 milhões de habitantes, números que não impressionam quem morou no Rio ou São Paulo, mas a constituição de Londres é totalmente diferente. São várias pequenas cidades que foram crescendo e se juntando, o que permite que você esteja a 20 minutos de metrô de Central London e more num lugar arborizados, de casinhas e com esquilos e raposas passeando.
Claro que tem lugares feios e perigosos, como as metrópoles brasileiras, mas a área “circulável” é muito maior. Imagino que seja mais difícil ter aquela sensação que se tem no Rio de que você conhece - ou pelo menos sabe quem é - todo mundo da sua idade mais ou menos da mesma classe social que você.
Mas e os ingleses? Ah, os ingleses. Bem, até agora eu conheci poucos ingleses. Têm os meus professores, claro, de quem eu gosto na maior parte do tempo. Tenho uma amiga britânica de ascendência indiana, que é fofíssima e outra legal que nasceu em Hong Kong, mas morou quase a vida toda em Londres e Edimburgo. Têm mais três britânicos na minha turma, mas não rolou de ficarmos amigos. Como eu não tô trabalhando aqui, o meu contato maior com ingleses seria na Universidade, mas ele é bem restrito como vocês podem concluir. Fora isso, aquela idéia de ingleses super educados e gentis cai por terra na primeira vez que você precisa pegar o metrô cheio. As pessoas esbarram em você, não pedem desculpa e ninguém dá lugar pra velho nem pra pessoas de muleta - o Bernardo que o diga.
E os imigrantes? Bem, eu também sou imigrante apesar disso não ser evidente o tempo todo. E sou brasileira, ou seja, imigrante de 2a classe porque nem européia eu sou, apesar do meu sobrenome francês e da brancura, que me faz ser confundida com italiana ou francesa. Aqui, como todo mundo sabe, tem gente de todos os lugares do mundo. Tem árabe, africano, russo, colombiano, chinês, indiano, é uma super salada. Mas ao contrário do Brasil, onde libanês casa com suíço (meus avós!) e até árabe fica amigo de judeu, a impressão que eu tenho é que quem chega aqui faz questões de manter as suas raízes.
A minha amiga filha de indianos, por exemplo. Ela nasceu na Inglaterra e só foi à Índia uma vez na vida, com sete anos de idade. Mas ela diz que se considera totalmente indiana e diz que a mãe dela diz diariamente pra ela lembrar que primeiro ela é indiana e depois, britânica. Detalhe é que os pais dela não nasceram na Índia também, nasceram em Uganda, em famílias indianas. Eu duvido que mesmo as primeiras gerações nascidas no Brasil tivessem tradição equivalente.
Não tô dizendo que é melhor nem pior, quem sou eu pra julgar. É só muito diferente do bunda-lelê a que eu estava acostumada. E isso serve pra todo os resto, pra toda a experiência aqui. As pessoas se comportam de forma diferente, o tempo é diferente, o céu é diferente, os códigos são diferentes e até a água cai pro outro lado. E você só experimenta essas coisas todas se vier pra cá, por mais difícil que seja. Eu não achava que seria fácil, mas talvez não achasse que fosse ser difícil - e é. Mas, quer saber, de que ia valer eu ficar sofrendo por antecipação? Eu simplesmente queria morar aqui por um tempo desde os 20 anos de idade, quando pisei em Londres pela 1a vez e passei um mês maravilhoso. E aí, num certo ponto da vida, comecei a fazer as milhares de coisas necessárias pra viabilizar a viagem.
Aqui estou. Com saudade do Brasil, com um pouco de frio, às vezes pessimista, às vezes feliz da vida, mas incrivelmente satisfeita por ter vindo.
P.S. - Me desculpem, eu sabia que esse post corria o risco de ficar uma coleção de pensamentos desconexos foi o o que aconteceu.
Voltei! E, como dizem por aqui, “first things first”. Para os meus quatro leitores-amigos, que agora ganharam reforço da família saudosa, tenho uma ótima notícia: o coágulo de cerca de 1,5 cm que foi visto no meu coração em dezembro se foi! O tratamento com o remédio anti-coagulante funcionou, mesmo com toda dificuldade pra encontrar a dose certa. Então, agora sem coágulos, meu coração tem ainda mais espaço para as pessoas queridas…
Para os meus quatro leitores, perdão pela longa ausência. Visitas queridas da família (porque ninguém é de ferro, o Natal ia ser tristíssimo sem elas!) e a incompetência da Virgin (Velox?)/ BT (Telemar?) me incentivaram a tirar umas férias da grande rede. Mas queria começar 2008 desejando um ótimo ano pra todos e que, principalmente, a gente não precise esperar a virada do calendário para estar em contato com os nossos desejos mais profundos e importantes. Façamos isso diariamente ![]()
Lucia e Julia, já estamos com saudades!
Nova BBC em beta
3 Comments Published December 18th, 2007 in Arquitetura de Informação, Usabilidade, Design, Experiência do usuário, Londres, Design de Interação.Como parte da comemoração de 10 anos de seu site, a BBC está lançando uma nova versão em beta da sua homepage. Sou arquiteta de informação, mas a primeira coisa que notei é que a home está bem mais bonita, sem aquele azulzinho claro meio enjoativo. Eles também estão usando cor de uma forma bem eficiente: o header muda de cor de acordo com o destaque principal e isso ajuda a sinalizar o assunto. Na Globo.com, em várias pesquisas, vimos que a associação entre cores e assuntos é muito bem entendida pelas pessoas, quando há consistência na utilização das cores, claro.
A página também está visivelmente mais moderna, foi um widgetizada, mas não é complicada de usar. Dá pra customizar o conteúdo, escolher a cidade (até mesmo o postcode é levado em conta se você mora no UK) e mover os bloquinhos fazendo drag and drop. Acho que a mudança maior da interface antiga para a nova é a mudança radical na posição dos diretórios - um clássico da BBC. Eles deixaram a coluna da esquerda para ganhar um espaço no roda-pé da página, mas estão maiores, mais legíveis e mais bonitos. A alteração tira aquela impressão de muito conteúdo espremedinho, tão comum nos portais e tão difícil de evitar quando se está desenhando uma página que abriga volumes enormes de conteúdo.
A BBC tem seis valores básicos e um deles diz que a audiência é o coração de tudo o que eles fazem. Além de lançar o site em beta, anunciar isso na home atual e incentivar as pessoas a darem suas opiniões, o head de User Experience da BBC, Richard Titus, escreveu um post bem interessante sobre a nova home. Uma das coisas que ele fala é que a página é resultado de muita pesquisa com usuários.
Parabéns pra Karen Loasby e toda a equipe


